- Área: 1416 m²
- Ano: 2015
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Fotografias:Maíra Acayaba, Mário Daloia, Juan Pablo Rosenberg
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Fabricantes: Casa Franceza, Clodomar, Portobello
Descrição enviada pela equipe de projeto. O projeto para este edifício de 8 apartamentos situado em um terreno em declive em São Paulo propõe uma alternativa para a moradia coletiva vertical na cidade, ao tratar o conjunto das unidades do edifício como um agrupamento de casas sobrepostas encaixadas, formando uma “vila vertical”. Esse recurso, além de criar uma rica volumetria para o conjunto edificado, associa a qualidade de vida dos moradores a um baixo impacto na vizinhança, numa associação do benefício individual ao coletivo.
A volumetria resultante surge da justaposição colaborativa de respostas específicas para seis premissas levantadas:
- o programa para 8 unidades habitacionais com áreas variadas;
- terreno em declive, com aproveitamento dos platôs e das contenções existentes;
- a pequena área do terreno e conseqüente pequena área computável disponível para as unidades;
- disposição do programa segundo a insolação e a vista para o vale nos fundos (a leste);
- o respeito ao gabarito da rua e minimização de impacto nos vizinhos;
- a utilização de uma solução estrutural econômica e de execução simples.
De início, implantar oito unidades habitacionais em um terreno de 750m2 (15x50m), sem a possibilidade de utilização de outorga onerosa (C.A=1), obrigou a buscar uma saída alternativa para otimizar as áreas dos apartamentos. Áreas externas, não computáveis, surgiram como resposta natural.
O terreno em declive, um antigo pátio de estocagem industrial, estava já dividido em quatro platôs descendentes a partir da rua. Outra solução consistiu em aproveitar esses patamares, bem como os arrimos existentes, de forma a minimizar o gasto de energia com movimento de terra ou novas contenções
Esse escalonamento foi replicado no desenvolvimento do edifício como parte da estratégia de sobreposição das unidades, gerando recuos sucessivos de gabarito que resultam em terraços para os apartamentos. Esta solução garante que todas as unidades tenham pelo menos 40m2 de área externa ensolarada, com vista para o vale a leste, ao fundo. Este recurso, além de qualificar o uso, garante uma “porosidade” ao edifício que, associada ao gabarito baixo em relação à rua, minimiza a sombra e preserva a circulação do ar nos lotes vizinhos.
O encaixe das plantas das unidades, dentro de uma modulação estrutural, visa, sobretudo, posicionar os dormitórios para a face insolada, voltando para a face sul do edifício as áreas molhadas, dotadas de boa ventilação, criando por vezes pés-direitos duplos nas salas. Os terraços são sempre parte cobertos e parte descobertos, voltados para o vale, para o sol nascente, bem como boa parte das salas.